7 de jun de 2011

Diálogo entre dois jovens - Parte 2


- Bão dia Zézinho!
- Bão dia Nelso! (acomodam as enxadas na terra, estendem as mãos, apertam-nas)  Cê tá bão?  
- Tô sim Zézinho. Só vô indo lá na iscola pra falar cum a fessora.
- Pra modi quê?
- Uai! A danada da fessora num tá querendo mi reprová?
- Vixe Maria, cê tá brincando cum eu?
- Inté quiria... É qui a prova tinha umas conta lá e parece qui eu num fui bão.
- Eita!
- É... um pobrema. Mais vô lá falá cum ela.
- Tá lasquera!
- Oxi, Zé, tô cum direito!
- Cê tá certo fio. Se ocê reprova mermo a tia Firmina vai puxá suas zoreia.
- E eu num sei?!
- Mais o qui é qui ocê errô na prova?
- Ah, Zé, tinha umas pregunta lá di acordo cum as plantação qui nois faiz. Daí preguntava: si Juana plantá deiz batata e Pedro coiê sete, quantas fica? Aí eu mi alembrei do livro e botei qui ficava quatro.
- Uai, sô, i num é isso mermo?
- Sei lá. A fessora falô qui cumeti um erro primário.
- Vixe! Qui diabéisso?
- Pior que eu num sei...  Só sei qui a fessora falô qui o certo era ficá treis batata e não quatro.
- Oxi. Mais num é isso qui tem nos livro, num é?
- Uai, sô. É. Por isso num to intendendo.
- E ocê já pensou em fazê uma recramação pro MEC?
- MEC? Quem é esse?
- Uai, sô! Ocê num teve aula qui falô do MEC?
- Oxi, eu não!
- Ah, eu também não! Mais vi arguma coisa dele em argum lugar... O tar do MEC é conhecido por cuidar da educação. Daí, já qui as tarefa dele é cuidar da educação, ocê pode contá qui a fessora num tá cumprindo cum qui nois aprendeu nos livro da coleção Escola Ativa.
- Óia... num sabia e nem pensei nisso.
- Apruveita Nelso.
- Cê tem razão Zézinho. Vô falá com a fessora primero. Se ela num tendê, vô fazê minha recramação pra esse tar de MEC.

Depois da conversa com a professora...

- Tarde Nelso!
- Tardé Zézinho!
- E aí, falô com a fessora?
- Falei sô.
- E aí?
- Ah, ela disse qui num tem jeito, qui eu to errado mermo.
- Uai, e ocê num ameaçô di recramar pro MEC?
- Vixe Maria, eu inté qui falei.
- E então?
- Zézinho, num diantô. A fessora falô qui eu ia era perdê meu tempo.
- Oxi, Nelso, modi quê? O MEC num cuida da educação?
- Ah, ela falou qui é. Até expricou mais dele.
- Hum...
- Mas disse qui atuarmente num ia adiantá recramar por causa di qui o MEC tá iguarzim a eu.
- Iguarzim? Modi quê?
- Com nota zero...

30 de mai de 2011

A vilã do meio ambiente

Se você utiliza sacolas de plástico para armazenar lixo ou levar compras do supermercado, terá que rever seus hábitos. A partir de 1 de janeiro de 2012, está proibida na cidade de São Paulo a distribuição ou venda de sacolinhas plásticas convencionais. O projeto de lei foi aprovado pelo prefeito Gilberto Kassab, no dia 17 de maio.
A medida tem causado polêmicas. Enquanto ambientalistas defendem a proibição, representantes das empresas produtoras das sacolinhas dizem o contrário. Alegam que os benefícios da proibição não superam os malefícios. Como parece que a medida é pra valer, é bom já começar a encontrar alternativas para colocar o lixo.
Agora, discutir maneiras de preservação do meio ambiente com proibições é tratar o assunto de forma superficial. De nada adianta proibir um item feito de plástico e não haver soluções para alocar o lixo da cidade ou implantar de fato a coleta seletiva.
Ao que parece, somente as sacolinhas são o mal da humanidade. Pesa contra elas o fato de demorarem quase 500 anos para se decompor. Porém, as garrafas PET demoram o mesmo tempo, mas por enquanto elas continuam em circulação.
Há quem diga que o problema não está nas sacolinhas, e sim na maneira como elas são utilizadas e jogadas depois em qualquer esquina da cidade.
Fato é que a coleta seletiva de lixo é uma utopia para nós paulistanos. Em São Paulo, ela é tão seletiva, mas tão seletiva, que só alguns bairros possuem o serviço. Curioso.
A periferia mal tem o serviço tradicional.
O tratamento dado aos resíduos é motivo de piada, e pouco discutido. Ainda vemos boa parte do esgoto da cidade de São Paulo e de algumas cidades da região metropolitana ser despejada “in natura” nos córregos e rios. Geralmente só avistamos o problema quando as marginais estão transbordando, na temporada das chuvas. Mas aí a culpa é de Deus, afirmam as autoridades.
Claro que todas essas questões também deveriam ser ensinadas aos pequenos, conscientizar uma geração da importância de separar o lixo e cuidar do meio ambiente. Mas falar da precariedade do ensino é ser redundante demais. Ainda somos uma sociedade que pensa mais em reciclar latinhas para ganhar uns trocados do que para ajudar a poupar recursos naturais.
Enquanto os grandes problemas não são resolvidos, fiquemos então com as medidas mais óbvias. E tomara que não haja falta de caixa de papelão no ano que vem.

17 de mai de 2011

Diálogo entre dois jovens

Um ia à escola; o outro, ao parque. Encontraram-se no meio do caminho.

- E aí, velho, beleza?
- Beleza parcerão! (estendem as mãos direitas, deslizam-nas para trás, fecham-nas, batem-nas.) E aí?
- Ahhh velhinho, sussa! Só tô indo lá na escola trocar uma ideia com o professor. O cara tá querendo me reprovar velho. Acredita?
- Iiiii véio, aquele cara ali é zica, heim? Metade da sala tá com medo de bombar!
- Não, se liga. A prova tinha redação e o cara quer zoar o negócio, tá ligado?
- O barato é loco fio!
- É, mas vô lá trocar uma ideia.
- Ê, já vai causar...
- Ah, velho, tô no meu direito!
- É, fica ligado. Se bombar sua mãe vai pesar na sua.
- Tô ligado.
- Mas aí, o que você errou na prova?
- Ah, mano... tinha que fazer uma redação sobre minhas férias. Daí eu escrevi que tinha ido pescar com o meu pai e tal e terminei dizendo que isso é bom porque nós pega o peixe.
- Ué? E não foi isso?
- Ah, sei lá, velho. O professor falou que eu esqueci da gramática.
- Nossa! Mas quem é essa tal de gramática? Ela foi pescar com vocês?
- Sei lá velho, nunca ouvi falar. Mas o professor deve ter brisado porque depois ele nem comentou mais dela e começou a falar que eu escrevi errado. Que não é “nós pega o peixe” e sim “nós pegamos o peixe”.
- Óia que professor zoado! Nada a ver uma coisa com a outra.
- Muita brisa!
- Óia, se eu fosse você reclamava pra Heloísa Ramos.
- Pra quem?
- Heloísa Ramos pô! A autora do livro “Por uma Vida Melhor”.
- Puts! Pode crer velhão! Vou falar com ela.
- Beleza. Mas fala direito viu.
- Hã? Como assim?
- Ah, de boa, não vai falar assim, na gíria.
- Eeeee, cê tá moscando?
- Ué, por quê?
- Vai começar com preconceito linguístico agora? Esqueceu que tem a fita lá do adequado e inadequado?
- E daí?
- Certeza que gíria é adequado!
- Pô, pode crer! Acho até que logo logo vai aparecer nos livros, cê vai ver.
- "Nos livros" não, ow! É "nos livro"!
- Pô, é mesmo aí! Esqueci do que aprendi.
- Se a gente se entende tá bom, né?
- Ô!
- Bom, vou lá em casa ligar. Falô!
- Ah, posso só pedir uma coisa?
- Fala aê!
- Descobre lá quem é a gramática...
- Pra quê?
- Ah, sei lá, vai que ela é bonita?! Daí você me apresenta.
- Suave...

* Texto elaborado de acordo com o dicionário da gíria (sim, existe!). Erros gramaticais são intencionais e servem apenas para "ilustrar" a história. Não reproduza! A língua portuguesa agradece; os amantes do bom português também.